quarta-feira, 2 de novembro de 2011

5 maneiras de fazer seus funcionários mais felizes

Flexibilidade de horários e vestimenta e tempo livre para inovar estão entre os incentivos que as empresas oferecem a seus funcionários


Funcionário feliz
 
 
  Em um ambiente de forte competição por talentos, pequenas empresas muitas vezes enfrentam dificuldades para fazer frente aos salários e benefícios oferecidos pelos gigantes do mercado. Mas é possível incentivar os funcionários com medidas simples, que além de deixar o dia a dia da empresa mais agradável, podem aumentar a produtividade e a capacidade de inovação do seu negócio.

 

Conheça, a seguir, práticas adotadas por empresas de pequeno e médio porte para fazer seus funcionários mais felizes:

1. Reconheça
Trimestralmente, o Peixe Urbano faz uma pesquisa de clima para medir a satisfação dos funcionários. “Estamos crescendo em ritmo acelerado e consideramos importante avaliar como isso afeta os nossos funcionários”, explica Maria Fernanda, diretora de gente e gestão.
Como parte do processo de avaliação, a empresa decidiu identificar, na última edição, aqueles funcionários que melhor refletiam os valores da companhia, de acordo com seus próprios pares. Os cinco nomes mais votados foram reconhecidos por meio de um vídeo em que os gestores da companhia ressaltavam suas qualidades.
Segundo Maria Fernanda, prêmios “simbólicos”, como ingressos para cinema e shows e créditos para serem usados em compras no Peixe Urbano, fazem parte de política de recompensa da empresa, mas o fator mais importante é o reconhecimento. “O principal e colocar o profissional em evidencia e a mostrar que ele faz a diferença”, diz.

2. Premie
Reconhecimento é bom, mas, acompanhando de um bônus, é ainda melhor. Todos os anos, a Beneficência Portuguesa, de São Paulo, presenteia os 1,3 mil médicos e assistentes que fazem parte da equipe do hospital no Dia do Médico. “É uma maneira de dizer que estamos gratos e que estamos aqui para cuidar deles”, diz Cida Papai, gerente comercial do hospital.
Neste ano, a instituição presenteou seus funcionários com uma caixa da Viva! Experiências, que dava direito a uma degustação à escolha de cada presenteado. “No passado, promovemos shows e coquetéis, mas a agenda do medico é muito corrida, era difícil de juntar todos. Queríamos dar um presente que ele pudesse curtir com a família”, conta Cida. A ação foi um sucesso. “O entusiasmo foi geral, todos ficaram comentando pelos corredores em qual degustação iriam.”

3. Dialogue
Quando os funcionários estão por dentro das estratégias da empresa, se sentem mais motivados a abraçar as decisões e fazê-las acontecer. A cada 15 dias, todos os funcionários do Peixe Urbano se reúnem com um dos sócios para um “Papo de Peixe”, um bate papo informal para discutir as últimas novidades e estratégias da empresa. Julio Vasconcelos, o CEO da empresa, está presente sempre que possível e conduz pessoalmente a conversa com os funcionários, que também envolve convidados externos. As reuniões são programadas para terminar sempre com um happy hour. “A diversão é um dos princípios da empresa”, explica Maria Fernanda.

4. Dê liberdade
Outro elemento que faz parte da cultura do Peixe Urbano é dar liberdade aos funcionários para fazer seus horários e se vestir como quiserem. Segundo Maria Fernanda, a política ajuda a manter o ambiente informal, criativo e produtivo. “Queremos construir um ambiente de trabalho divertido, agradável e com foco em resultados e não em regras”, explica.
Em áreas que independem do horário comercial, os funcionários tem total liberdade para fazer seus horários. “Internet não para nunca, as pessoas estão sempre ligadas”, justifica a gestora. Mesmo para as áreas que requerem um horário mais rígido, há margem para escolha. “O pessoal de atendimento ao cliente, por exemplo, pode entrar entre 8h e 11h”, diz Maria Fernanda. “As pessoas podem fazer seu horário. Trabalhamos com a entrega e a responsabilidade”, acrescenta.
Já no quesito guarda-roupa, a flexibilidade é total. “As pessoas podem se vestir como quiserem. Tem gente que vem de bermuda e chinelo. Somos ‘casual everyday’”, brinca.

5. Envolva
Envolver os colaboradores nos processos de inovação da companhia é uma maneira de permitir que eles desenvolvam o próprio potencial criativo e, ao mesmo, tempo, colaborem para o sucesso do negócio. Todas as sextas feiras, os funcionários do portal Minha Vida param o que estiverem fazendo para se dedicar a pensar em ideias inovadoras.
“Eles têm um dia inteiro livre para trabalhar em interesses pessoais, de maneira que isso se reverta em resultados à empresa”, explica Gomér Gonzaga, gerente de gente e gestão. Os 60 funcionários da companhia se reúnem em times de trabalho, de acordo com os interesses e afinidades de cada um. Juntos, eles fazem “brainstorms” e trabalham em ideias que, posteriormente, são apresentadas aos sócios da empresa.
O projeto, conhecido como Ideia Day, rende frutos que podem ir de um novo recurso para o portal até mudanças em processos internos da companhia. “Nosso funcionário tem liberdade para fazer acontecer. Tudo é feito com rapidez e transparência”, diz a gestora.

A startup Bougue está inaugurando um programa similar de incentivo à inovação, com um ingrediente extra: a competição. Trimestralmente, os funcionários da empresa (que ainda conta com um time reduzido, de apenas sete pessoas) são divididos em duas equipes, que trabalham uma vez por semana em uma proposta de melhoria no modelo de negócios da empresa. As equipes contam com mentoring dos co-fundadores da startup para desenvolver a ideia.
Após três meses, o time “vencedor” é escolhido. Além de ter a ideia implementada, os ganhadores recebem pequenos incentivos, como bônus em dinheiro ou viagens. “O premio não é o foco, é só um extra“, diz Fernando Canuto, fundador do negócio. Outra política adotada pela jovem empresa é reservar uma hora por dia para os funcionários dedicarem a projetos pessoais. “É diferente do ambiente corporativo. Queremos trabalhar as competências do nosso time”, justifica o empreendedor.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

20 revelações da biografia oficial de Steve Jobs

Vinte das passagens mais interessantes da biografia autorizada de Steve Jobs.


Steve Jobs

Steve Jobs morreu  aos 56 anos de idade
 Quando jovem, Steve Jobs não gostava de tomar banho. Ele achava que consumir drogas havia sido uma experiência benéfica. E, sim, ele recusou a cirurgia quando soube que tinha câncer. Essas são algumas das muitas revelações da biografia autorizada do fundador da Apple, que começou a ser vendida hoje no Brasil e em outros países.

 

O livro, que se chama simplesmente Steve Jobs, vem carregado de detalhes sobre a vida do empresário. Walter Issacson, o autor, trabalhou nele durante sete anos e fez mais de 40 entrevistas com o próprio Jobs, além de ter falado com muitas outras pessoas que conviveram com ele. Jobs, que convidou Isaacson para escrever sua biografia, não censurou a obra. Ela traça um retrato sem muitos retoques do empreendedor. Veja, a seguir, 20 fatos interessantes contados por Isaacson no livro.

1 Cristianismo
Jobs foi criado por luteranos, mas abandonou a religião cristã aos 13 anos, depois que viu uma foto de crianças morrendo de fome na capa da revista Life. Ele perguntou ao pastor se Deus sabia que aquilo estava acontecendo e não gostou da resposta. “O Cristianismo deixa de fazer sentido quando começa a se basear mais na fé do que em viver como Jesus”, disse ele a Isaacson.
2 Deus
Depois de abandonar o Cristianismo, Jobs acabou se convertendo ao Budismo Zen. Ele contou ao biógrafo que tinha dúvidas sobre a existência de Deus: “Acho que as diversas religiões são diferentes portas para a mesma casa. Às vezes, acho que a casa existe. Outras vezes, acho que não. É um grande mistério.”
3 Drogas
Jobs começou a fumar maconha aos 15 anos. Mais tarde, passou a tomar LSD. “Era uma experiência profunda, uma das mais importantes da minha vida”, disse Jobs. “A droga reforçou minha habilidade de distinguir o que era importante – criar coisas grandiosas em vez de ganhar dinheiro apenas.”
4 A caixa azul
O primeiro produto fabricado por Jobs e seu sócio Steve Wozniak, antes da fundação da Apple, foi a Blue Box. Era um dispositivo eletrônico que produzia tons de áudio usados para transmitir comandos às centrais telefônicas. O objetivo era enganar a central e fazer ligações sem pagar. Jobs e Woz venderam cerca de uma centena dessas caixas por 150 dólares cada uma.
5 O Apple II
Jobs queria que o Apple II fosse uma caixa selada. Mas Steve Wozniak ameaçou abandonar o projeto se o computador não aceitasse placas eletrônicas adicionais instaladas pelos usuários. Woz ganhou essa primeira disputa. Mas, com o tempo, os produtos da Apple foram ficando cada vez mais fechados, como queria Jobs. Os novos modelos da série MacBook Pro, por exemplo, não tem mais nem sequer bateria removível.
6 Mau cheiro
Quando jovem, Jobs não gostava de tomar banho. Quando trabalhava na Atari, em 1974, seu chefe, Al Alcorn, o transferiu para o turno da noite para que o mau cheiro não incomodasse os demais funcionários. Em 1977, quando a Apple se preparava para lançar o Apple II na West Coast Computer Faire, o investidor Mike Markkula teve de convencer Jobs a tomar um banho e vestir um terno para ir ao evento. Mike Scott, o primeiro presidente da Apple, conta que, numa das primeiras conversas que teve com Jobs, disse a ele que deveria tomar banhos mais frequentes. Scott conta que Jobs, naquela época, seguia uma dieta à base de frutas. Ele acreditava que a dieta evitaria os odores corporais. Assim, um banho por semana seria suficiente.
7 Amigos x negócios
Daniel Kottke era amigo de Jobs na faculdade e havia viajado com ele para a Índia. Também foi um dos primeiros funcionários da Apple. O contrato de trabalho de Kottke não dava direito a opções de ações. Quando a empresa abriu seu capital, em 1980, ele foi falar com Jobs, reivindicando o benefício que outros funcionários tinham. Jobs recebeu Kottke com frieza e disse não. “Entrei em choque, comecei a chorar e não consegui mais falar. A amizade tinha acabado”, disse Kottke a Isaacson.
8 Macintosh
O Macintosh foi a materialização da visão de Jeff Raskin, um engenheiro que queria tornar os computadores mais fáceis de usar. Enquanto Raskin liderava o desenvolvimento do Mac, Jobs cuidava do Lisa, o primeiro computador com interface gráfica, que seria um fracasso comercial. Mas, em 1980, em meio a um conflito com a direção da Apple, Jobs foi afastado do projeto Lisa e do cargo de vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento. Ele disse a Isaacson que esse fato, que poderia ter sido traumático, acabou se revelando positivo. “Foi como voltar à garagem. Eu tinha minha própria equipe e estava no controle”, disse ele. De fato, como se sabe, o Macintosh acabou se tornando muito mais importante para a Apple do que o Lisa.
9 Reality Distortion Field
Quando Steve Jobs passou a comandar o desenvolvimento do Macintosh, sua relação com Jeff Raskin – o engenheiro que havia liderado o projeto inicialmente – se deteriorou. Raskin saiu da empresa e Jobs chamou Andy Hertzfeld para substituí-lo. Um programador da equipe alertou Hertzfeld que ele estaria sujeito ao “campo de distorção de realidade” de Jobs. O termo passaria a ser usado para designar a maneira obstinada como Jobs convencia outras pessoas a fazer coisas que, às vezes, elas próprias achavam absurdas.
10 Pixar
Jobs comprou a divisão de computação gráfica da Lucasfilm e transformou-a na Pixar. Mas o que atraiu Jobs foi principalmente a área de desenvolvimento de hardware e software da empresa. A área de animação veio junto e acabou se transformando em seu principal – e depois único – negócio.
11 Fortuna
Financeiramente, a Pixar foi o melhor negócio que Jobs fez em sua vida. Ele pagou 50 milhões de dólares por 80% da empresa. Quando ela abriu seu capital, essa participação passou a valer 1,2 bilhão de dólares.
12 O homem das trevas
A compra da Pixar pela Disney envolveu negociações pesadas. A Disney distribuía os filmes produzidos pela Pixar. Jobs ameaçou fechar um contrato de distribuição com outra empresa. Michael Eisner, então CEO da Disney, respondeu que a Disney faria suas próprias continuações da animação Toy Story, sem a Pixar. Os dois acabaram chegando a um acordo. Jobs tornou-se o maior acionista da Disney, que passou a ser dona da Pixar. “Eisner foi justo comigo naquele momento. Mas, com o tempo, eu concluí que ele era um homem das trevas”, disse Jobs a Isaacson.
13 Microsoft Zune
Em 2006, a Microsoft tentou competir com a linha iPod lançando sua linha Zune de players multimídia. Mas o produto nunca fez sucesso. O diagnóstico de Jobs: “O Zune era uma porcaria porque o pessoal da Microsoft não ama a música como nós.”
14 Momento glorioso
Quando o desenvolvimento do iPhone estava na reta final, Jobs resolveu fazer uma mudança radical no desenho do smartphone. Isaacson conta que ele disse à equipe de design: “Vocês se mataram durante nove meses para finalizar esse design, mas nós vamos mudá-lo.” Refletindo sobre isso, Jobs conclui: “É um dos momentos de que mais me orgulho na Apple.”
15 Não à cirurgia
Jobs recusou a cirurgia quando soube que tinha câncer. Só nove meses depois sua esposa e outras pessoas próximas conseguiram convencê-lo a ser operado. Nesse momento, o câncer já havia se alastrado e se tornado mais difícil de tratar.
16 Sequenciamento genético
Jobs foi uma das primeiras 20 pessoas em todo o mundo a ter todos os genes sequenciados. Seus médicos queriam obter informações genéticas sobre o câncer para prescrever drogas mais eficazes e que provocassem menos efeitos colaterais do que a quimioterapia convencional.
17 Ódio ao Android
Jobs nutria um ódio figadal pelo sistema operacional Android, pelo Google e pelo ex-CEO da empresa Eric Schmidt. “Vou gastar até meu último suspiro se for necessário. Vou gastar cada centavo dos 40 bilhões de dólares que a Apple tem no banco para resolver isso. Vou destruir o Android por que ele é um produto roubado. Vou mover uma guerra termonuclear”, disse ele a seu biógrafo Walter Isaacson.
18 Larry Page
Até sua morte, Jobs continuou odiando Eric Schmidt, o ex-CEO do Google. Schmidt fazia parte do conselho de administração da Apple na época em que o Android estava sendo desenvolvido. Para o fundador da Apple, ele era um traidor. Mas Jobs fez as pazes com Larry Page, o fundador e atual CEO do Google. Page pediu conselhos a ele quando assumiu o posto de CEO, em abril deste ano. O primeiro impulso de Jobs foi responder com um palavrão. Mas ele mudou de ideia quando lembrou que, em sua juventude, fora orientado por Bill Hewlett, um dos fundadores da HP. Um dos conselhos de Jobs a Page: “Não seja bonzinho demais como CEO.”
19 Mark Zuckerberg
Steve Jobs e Mark Zuckerberg nunca foram próximos. Mas Jobs disse a Isaacson que admirava o jovem empreendedor por não ter vendido o Facebook.
20 Bill Gates
O livro fala bastante da relação entre Steve Jobs e Bill Gates. Os dois competiam entre si, mas também eram parceiros de negócios. Enquanto Gates se refere a Jobs com certa elegância, Jobs não se preocupa em disfarçar o desprezo que sentia pelo rival. Vejamos dois exemplos:
Gates, sobre Jobs: “Ele nunca soube muito sobre tecnologia, mas tinha um instinto impressionante para dizer o que funcionaria bem.”
Jobs, sobre Gates: “Bill não tem imaginação e nunca inventou nada. Acho que, por isso, ele se sente mais confortável na filantropia do que na tecnologia. Ele descaradamente roubou ideias de outras pessoas.”

domingo, 23 de outubro de 2011

Falta integração entre o RH e o resto da empresa

Para Pete Sanborn, desafio do RH nos próximos anos será desenvolver estratégias capazes de se adaptar às transformações do ambiente econômico mundial

Por Letícia Arcoverde | Valor


SÃO PAULO - Embora tenham conseguido evoluir significativamente e conquistado um espaço mais estratégico dentro das empresas, os departamentos de recursos humanos não podem se acomodar. Um dos maiores desafios para os próximos anos será desenvolver estratégias capazes de se adaptar às transformações do ambiente econômico mundial, que hoje acontecem cada vez mais rapidamente. Essa é uma das principais conclusões que o americano Pete Sanborn, líder global de talentos e recompensas da Aon Hewitt, apresentou durante sua palestra no seminário promovido hoje pela consultoria em São Paulo. O evento antedece a entrega do prêmio "As Melhores na Gestão de Pessoas", concedido em parceria com o Valor. "O que deu certo até agora não é necessariamente o que vai garantir o sucesso no futuro", diz.
Além disso, Sanborn acredita na necessidade de mais integração tanto entre o departamento de recursos humanos com o resto da empresa quanto dentro da própria área de RH. "Vejo muita fragmentação entre funções atualmente quando, na verdade, todos deveriam trabalhar juntos", explica. Ele diz que o problema é consequência de um processo de especialização em tarefas específicas pelo qual muitos profissionais passaram, mas que isso atrapalha a gestão de pessoas dentro das empresas de uma maneira mais ampla.
Ao acompanhar as consultorias da Aon Hewitt em diversos países, Sanborn observou, no entanto, que as companhias estão trabalhando para mudar essa realidade – algumas, inclusive, reestruturando completamente seus departamentos de RH. Segundo ele, mesmo as mudanças simples, com os profissionais de gestão de pessoas conversando mais com outras áreas e participando de discussões para alinhar estratégias, podem trazer bons resultados.

(Letícia Arcoverde | Valor)

sábado, 22 de outubro de 2011

Exemplo para todas as gerações

Ícone do empreendedorismo feminino, ela transformou a loja dos tios em um império e foi chamada por Dilma Rousseff para assumir a Secretaria da Micro e Pequena Empresa


Redação PEGN


Editora Globo
QUEM É > Luiza Helena Trajano, presidente da rede de lojas Magazine Luiza
O QUE FAZ > Dirige uma das maiores redes de varejo do país

Em 1956, em uma de suas viagens a Franca, no interior paulista, o caixeiro-viajante Pelegrino conheceu a balconista Luiza. Um ano depois, estavam casados e dando os primeiros passos na empresa que, anos mais tarde, revelaria aquela que é considerada hoje a mulher de negócios mais bem-sucedida do país – a ponto de ser convidada pela presidente Dilma Rousseff para ocupar a cadeira de ministra da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

Depois de comprar uma loja de móveis e eletrodomésticos chamada A Cristaleira, Pelegrino e Luiza promoveram um concurso na rádio local para escolher um novo nome para o estabelecimento. Ganhou Magazine Luiza. O negócio ia bem, mas a verdadeira explosão estava por vir. Luiza Helena Trajano, que cresceu dentro da loja dos tios, logo começou a mostrar seu talento empreendedor. No fim dos anos 1970, passou a fazer parte da direção da loja. No início dos anos 1980, ela informatizou a empresa (os computadores ainda eram uma novidade no Brasil), ajudou a abrir 32 filiais e montou um centro de distribuição em Ribeirão Preto.

Em 1991, dona Luiza mandou um bilhete à sobrinha: “Logo vou fazer 62 anos. Estou ficando velha. Acho melhor você assumir o Magazine”. Decisão feliz. Luiza Helena diminuiu o poder da família e aumentou o dos funcionários, inaugurou a primeira loja virtual e passou a comprar concorrentes. Seu sucesso à frente do negócio chegou até a Harvard Business School, que designou pesquisadores para analisar o “fenômeno”.

Em junho de 2011, a rede anunciou a compra de 121 lojas do Baú da Felicidade, do Grupo Silvio Santos, por R$ 83 milhões. Atualmente, o Magazine Luiza tem 613 lojas em 430 cidades e 21 mil funcionários. Faturou, em 2010, R$ 5,3 bilhões.


“Comecei muito nova, aos 13 anos. Mas não existe uma idade certa, o momento chega e você percebe”


PEGN – Quais as principais características de uma empreendedora de sucesso?
Luiza Trajano –
Empreendedorismo, para mim, é fazer acontecer, independentemente do cenário, das opiniões ou das estatísticas. É ousar, fazer diferente, correr riscos, acreditar no seu ideal e na sua missão. É propor ideias criativas seguidas de ação, é ter a capacidade de envolver a equipe, de buscar oportunidades, ter visão global e de resultados e trabalhar com foco nas soluções rápidas. Mas cada um desenvolve seu próprio estilo, não existe uma receita pronta.

PEGN – Há diferenças entre as empreendedoras brasileiras e as de outros países?
LT –
Os números do empreendedorismo variam de acordo com a situação econômica de cada país. Temos muitas pesquisas que revelam a alta capacidade de empreendedorismo do brasileiro, mas ainda temos um longo caminho a percorrer. O que percebemos é que a mulher tem algumas características mais peculiares que favorecem a gestão na economia atual.

PEGN – Que erros podem ser fatais na abertura ou na condução de uma empresa?
LT –
Não existe uma fórmula para dizer o que dará certo ou errado. Recebemos muitas interferências externas, como a rapidez das informações, da tecnologia, das tendências... Esses fatores nos trazem grandes desafios. Quanto mais o empreendedor estiver alinhado com sua profissão, quanto maior seu conhecimento e, principalmente, sua vocação, maior a chance de dar certo. Ter agilidade, qualidade e rentabilidade é obrigação. O que vai diferenciar uma empresa da outra são o atendimento e a inovação. Outras atitudes fundamentais são cuidar do fluxo de caixa, perceber o momento de mudar de ciclo para que o negócio não envelheça, ter foco no cliente e cumprir o que se promete para ter credibilidade.

PEGN – O que é mais importante: saber lidar com pessoas ou com finanças?
LT –
As coisas precisam caminhar juntas. O maior desafio é como colocar as pessoas em primeiro lugar, tendo lucro sustentável e não a qualquer preço. No início da carreira, me perguntava por que empresas que davam muito lucro empregavam pessoas infelizes, enquanto que, em empresas onde as pessoas trabalhavam felizes, o lucro não aparecia. Por que não ter as duas coisas? Foi então que iniciamos, em 1991, um trabalho para ter as pessoas e o lucro no centro da companhia. Ter premissas claras na gestão, um ambiente agradável, valorizar e respeitar as pessoas são pilares que fortalecem a empresa. Os resultados virão por consequência.

PEGN – Trabalhar em família ou com amigas é bom ou ruim para o negócio?
LT –
O Magazine Luiza foi fundado pelos meus tios Luiza e Pelegrino. Sempre trabalhamos em família. Mas tivemos a preocupação de ter premissas claras e institucionalizadas que ajudaram muito nos processos de decisão. A companhia veio sempre em primeiro lugar, antes de qualquer interesse pessoal. Minha tia falava que “não se deve matar a galinha dos ovos de ouro”. Quando há essa intenção, com ética e regras claras, fica mais fácil lidar com qualquer situação – com a família, com os amigos ou com os demais funcionários.

PEGN – Em algum momento fez diferença, para os negócios, o fato de ser mulher?
LT –
As mulheres conquistaram seu espaço no mercado. Hoje temos grandes líderes em todos os segmentos. Graças a essa evolução, a sociedade se tornou menos conservadora. E características como sensibilidade, intuição e disposição para servir, tão comuns entre as mulheres, passaram a ser indispensáveis para o sucesso. A união das forças masculinas e femininas só colabora para o resultado, assim como a diversidade de raças e culturas. Sabemos que ainda não há equilíbrio, mas foi um grande salto. Na época em que assumi a superintendência, em 1991, eu precisava provar minha competência muito mais do que preciso hoje.

PEGN – O que a senhora acha das políticas públicas de fomento às pequenas e médias empresas?
LT –
O empreendedorismo faz parte da índole brasileira. As micro, pequenas e médias empresas representam 98% do conjunto. Segundo o BNDES, o crescimento das PMEs é bem superior ao das de grande porte. Mas muitas sofrem para se manter no mercado. Segundo o Sebrae, 39% delas fecham no primeiro ano. O governo ajuda com medidas importantes. Mas as empresas precisam, primeiro, olhar de dentro para fora e encontrar onde estão os pontos de melhoria, buscar alternativas que não estão só na mão dos políticos.

PEGN – Qual a melhor fase da vida de uma mulher para empreender: aos 20, 30 ou depois dos 40 anos?
LT –
Comecei aos 13 anos. Em minhas férias escolares e fins de semana, já estava no balcão da loja ajudando e aprendendo. Quando você é um empreendedor nato, o momento chega e você percebe que é sua oportunidade. A experiência ajuda, mas a caminhada do dia a dia é que faz você adquirir experiência. A caminhada é tão importante quanto o resultado final.

Idioma estrangeiro vale um bom emprego

 

 - Crédito: Thinkstock
Os grandes eventos esportivos sediados no Brasil vão demandar profissionais com fluência, principalmente, em inglês, espanhol e francês

Os grandes eventos esportivos sediados no Brasil vão demandar profissionais com fluência, principalmente, em inglês, espanhol e francês. Ainda dá tempo de dominar outra língua e conquistar uma vaga.

Para muitos brasileiros ver de perto nossos atletas sem precisar sair do país será a realização de um grande sonho. E dessa vez, os esportistas não serão os únicos a impulsionar suas carreiras. No caso da Copa de 2014, diversas pesquisas apontam que haverá uma enorme oferta de empregos nas 12 cidades que sediarão o campeonato. E também em municípios localizados em um raio até 150 km dessas capitais, que servirão de subsedes para delegações, imprensa e turistas.
Um estudo feito em parceria entre o Ministério do Esporte e a Fundação Instituto de Administração (FIA), da Universidade de São Paulo, apontou qual será o efeito do Mundial na economia do Brasil. Estima-se que sejam criados 600 mil novos postos de trabalho, sendo 300 mil permanentes.

Outra pesquisa ainda mais otimista, realizada pela Ernst & Young com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que o evento tem potencial para gerar 3,6 milhões de empregos. Os setores mais requisitados serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana),TI, turismo e hotelaria. Em conjunto, todas essas áreas deverão ter sua produção aumentada em 50,18 bilhões de reais.
Contudo, para preencher a maioria dessas vagas, o domínio de línguas será fundamental. Segundo Saint-Clair Milesi, gerente de relações com a imprensa do Comitê Organizador da Copa 2014, as contratações já começaram. "É uma operação muito grande, com turistas provenientes de todo o mundo. Portanto, a demanda é por profissionais com fluência em idiomas estrangeiros, principalmente inglês, francês e espanhol - para receber bem nossos vizinhos da América do sul", diz.
Aproveite o tempo que falta até a Copa e ganhe conhecimento a partir das seguintes estratégias:
Turbine seu plano de estudos no exterior*

Nível de conhecimentoNenhumSó falo/ entendoSó leio/escrevoFalo/leio/escrevo
- Matricule-se em um curso no Brasil e saia do nível básico 1

- Nas próximas férias, passe um mês estudando no exterior e salte do nível básico para o intermediário

- Continue o curso no Brasil e programe outro intercâmbio nas férias de 2013 para atingir fluência

- Se puder, tire uma licença de 3 meses antes da Copa, estude lá fora e passe do nível intermediário para o fluente
- Matricule-se em um curso no Brasil para reforçar a gramática e o vocabulário

- Nas próximas férias, faça um intercâmbio que misture estudo do idioma com Lifestyle. Invista em seu segmento de atuação (business, marketing, gastronomia, etc) para reforçar expertises e turbinar o CV

- Outra opção é um 1 mês de intercâmbio intensivo, acima de 20 horas semanais, para atingir o nível fluente
- Matricule-se em um curso no Brasil para perder a vergonha de falar

- Neste caso, vivência é primordial: mergulhe na cultura de outro país. Nas próximas férias, faça um intercâmbio intensivo para consolidar o nível intermediário ou já saltar para o fluente

- Escolha um país/cidade com poucos brasileiros para não cair na tentação de falar em português

- Continue o curso no Brasil e programe outro intercâmbio nas férias de 2013
- Quem já domina o idioma deve fazer um intercâmbio que combine programas de estudo e trabalho. Experiências internacionais valorizam o CV

- Invista em cursos de extensão, com duração de 3 a 6 meses

- Essa também é uma boa oportunidade para rever a carreira, se qualificar ou até mudar de área.

*Fonte: Samuel Lloyd, gerente de Marketing do STB

Todo mundo pode ser empreendedor?

Entenda a diferença entre os empreendedores por necessidade e por oportunidade

 
Como pensam e agem os jovens empreendedores
Todo mundo pode ser empreendedor?

Respondido por Marcio de Oliveira Santos Filho, especialista em empreendedorismo

Existem fatores para estimular a formação empreendedora de uma criança, como incentivar o lado sonhador e construtivo, ter exemplos de empreendedores na família e estudar o tema, mas a verdadeira semente empreendedora nasce apenas em algumas pessoas.
O empreendedor por oportunidade, ou por natureza, que é aquele sempre disposto a arriscar, nunca confortável com o "normal" ou o "padrão". Esse empreendedor é o mesmo que quer mudar o mundo, acredita que o pode fazer isso e faz de tudo para conseguir. O dinheiro é importante, mas não é o principal motivador, é apenas uma consequência de um plano maior de realização: fazer seu próprio negócio dar certo, ter autonomia e engajamento total.
Quem abre um negócio mais por necessidade do que por vislumbrar uma oportunidade não é menos empreendedor. Aprender técnicas de empreendedorismo, estudar conceitos e ouvir gente experiente são caminhos interessantes para estimular as pessoas. A grande diferença entre os dois tipos de empreendedores fica clara quando o primeiro obstáculo chega.
Para quem nasceu empreendedor, se o obstáculo for o fim do caminho, ele cria um novo caminho e continua a viagem. Isso serve de exemplo a todos os outros, que podem muito bem aprender a empreender tão bem quanto os empreendedores natos. Ser empreendedor é mais do que uma profissão, é um estilo de vida e são eles que mudarão o mundo em que vivemos.
 Peterson Vilela Muta é advogado especialista em direito do trabalho

Marcio de Oliveira Santos Filho
é associado da Inseed Investimentos e coordenador do Desafio Brasil.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Nós vamos invadir sua praia

<><><>
Revista ISTOÉ Dinheiro - 17/10/2011
<><><>
De olho no potencial da nova classe C, empresas como Sorridents, TIM, Casas Bahia, Bradesco e Banco do Brasil se instalam em comunidades carentes.
Rafael Freire
A mais nova clínica odontológica da rede de franquia Sorridents segue a risca todos os padrões das demais 126 unidades espalhadas pelo Brasil. Piso de porcelanato, equipamentos de última geração e até revistas de luxo, de decoração e tecnologia na sala de espera deixam o ambiente aconchegante e preparado para atender os cerca de 400 pacientes que fazem consultas mensalmente no estabelecimento. Embora a estrutura e a forma de trabalho sejam iguais a de qualquer clínica da Sorridents, a unidade inaugurada há um mês tem uma peculiaridade: está no centro da comunidade de Paraisópolis, uma das áreas mais pobres da cidade de São Paulo, uma espécie de enclave de baixa renda no bairro nobre do Morumbi. "As classes populares estão gastando mais com saúde", disse à DINHEIRO Carla Sarni, fundadora da franquia. "É ótimo ter nossa marca perto desses consumidores."

Apesar do discurso polido, a iniciativa da nova empreitada nasceu da percepção de mercado do casal paulista de empresários Wendel Oliveira e Aldrey Basio, franqueados da Sorridents desde 2006. Eles começaram a considerar a ideia de abrir uma filial em Paraisópolis depois que diversos moradores da comunidade passaram a se tratar em sua franquia do Morumbi. "Foi uma decisão exclusivamente comercial", diz Oliveira, que começou a procurar local para a nova unidade no final de 2010. O empresário, na verdade, sentiu no dia a dia de seu negócio uma tendência que as estatísticas vêm apontando nos últimos tempos. Levantamento feito pelo instituto Data Popular, no final de 2010, aponta que as classes C e D representavam um mercado consumidor de R$ 834 bilhões.

"Somos a cara de um novo Brasil, que está começando a ter acesso a produtos e serviços mais caros", afirma Gilson Rodrigues, presidente da Associação dos Moradores de Paraisópolis. Esse acesso, permitido pelo crescimento da renda dessas faixas de consumidores, está sendo facilitado pelas próprias empresas, antenadas com as possibilidade de explorar o mercado emergente. Atualmente, Paraisópolis já conta com uma loja da Casas Bahia e agências do Bradesco e do Banco do Brasil. De acordo com Rodrigues, outros grupos como as empresas de telefonia TIM, Claro e Vivo, e a fabricante de cosméticos O Boticário também já manifestaram seu interesse de estar mais próximos dos 100 mil moradores de Paraisópolis. "A presença dos bancos é a prova concreta da maturidade econômica dessas áreas", afirma Hideraldo Leitão, gerente-geral da unidade de gestão de canais do Banco do Brasil.

Em Paraisópolis, a primeira grande empresa a desbravar o terreno foi a Casas Bahia, em novembro de 2008. "Sempre trabalhamos a serviço das classes populares e para nós foi um movimento natural", diz Michael Klein, presidente do Conselho de Administração de Globex, holding que abriga a marca Casas Bahia. Segundo ele, a loja da favela paulistana está entre as de maior venda na cidade de São Paulo. A empreitada deu tão certo que até dezembro a Casas Bahia pretende repetir a dose na Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro. Na capital carioca, no entanto, a empresa de Klein não será a pioneira. Lá, a TIM começou a dar as caras em 2007, quando inaugurou uma loja no Complexo do Alemão. A filial é tocada por um morador responsável também por uma distribuidora de chip e recarga, que conta com 40 funcionários e atende 30 comunidades cariocas.

Outra iniciativa da operadora foi se associar a uma cooperativa de transporte e à Supervia, a companhia de transporte ferroviário do Rio de Janeiro, para comercializar seus chips e serviços em suas vans. "Tivemos de estudar os hábitos dos moradores para descobrir as melhores formas de vender nossos serviços", diz Fernando Mota, diretor comercial da TIM no Rio de Janeiro. Uma das soluções que o executivo encontrou para isso foi veicular campanhas publicitárias em tevês, rádios e jornais comunitários. "O grande desafio das empresas é entender esses consumidores e entrar no cotidiano deles", afirma Eduardo Ayrosa, professor de marketing e comportamento do consumidor da Fundação Getulio Vargas. "É um público ainda pouco conhecido e que só se conhece tendo contato."